domingo, 12 de agosto de 2012





ANJOS VIRTUAIS
Episódio 02 - Epifania

Mônica se sentou e jogou o pedaço de papel fotográfico no fatiador de papel. Quantas vezes já tinha feito aquilo?
Não importava. Aquilo ainda a incomodava de uma forma que ela jamais seria capaz de admitir. Não era a falta de digitais ou qualquer vestígio pudesse levar ao autor daquilo.
Era a vontade de fumar que aquilo lhe provocava.
Ela mal acendeu o cigarro quando ouviu uma batidinha na porta.
- Entre! – disse, enquanto jogava a guimba no lixo evitando começar um incêndio.
O homem na porta era incrivelmente gordo. Ele usava o cabelo cortado bem curto e tinha uma expressão um pouquinho psicopata. Mas era só um pouquinho, porque ela logo desapareceu quando ele abriu um largo sorriso.
- Estou incomodando? – o jovem gordo perguntou. Perto dele Mônica se sentia uma múmia. Mas uma daquelas assustadoras, é preciso ressaltar.
- Só uma tragada fora de hora, Alberto. Mas imagino que isso não é visita social, estou certa?
- Na verdade, não, Senhorita Muniz.
Alberto era um dos poucos ali que Mônica realmente respeitava. Ele tinha começado na organização como um hacker freelancer, mas ao vê-lo trabalhar, todo concentrado em seu laptop cheio de adesivos de bandas de rock, Mônica havia sentido uma dignidade que não conseguira compreender. Algo lhe dissera que ele daria um excelente anjo virtual, apesar do jeito caladão. Ou então, ela sempre tivera uma queda por casos perdidos, como bem podia atestar Benjamim Calvin, sua mais recente aquisição.
Mais uma vez ela estava certa. Alberto era um excelente funcionário. Em cinco anos nunca havia perdido ninguém. Não raro, trabalhava em mais de um caso ao mesmo tempo. Raramente ficava doente ou tirava férias, o que fazia com que Mônica gostasse ainda mais dele.
- Há uma movimentação estranha na rede – ele começou em um tom tão baixo que que Mônica quase não pôde entender o que dizia. – acho que os Demônios do Submundo vão aprontar alguma.
- Outra tentativa de invasão? – ela perguntou embora soubesse que aquilo era muito improvável.
Os demônios do real eram uma seita de hackers que pregava o apocalipse cibernético. Eles odiavam os anjos por acharem uma heresia usar técnicas hackers para salvar gente que, no entender deles, só servia para deixar o mundo mais superpovoado. Não foram raras a vezes em que ela recebeu e-mails anônimos exaltados pedindo para que deixasse aqueles fracassados morrerem.
- Na última tentativa, eles só foram detidos pela penúltima camada do firewall. – Alberto comentou. – Um contato me deu a dica que a vontade deles de nos ferrar aumentou muito agora que estamos novamente na berlinda, por causa das audiências do senhor Charles no senado.
O senhor Charles, o grande cabeça por trás dos anjos havia sido chamado para depor no senado na semana passada, depois da denúncia de que seus negócios, e principalmente, sua organização para-governamental de alcance mundial, não eram tão idôneos quanto pareciam.
- Não vai me contar quem é esse seu contato, não é mesmo Alberto?
- A senhora sabe que não – Alberto pigarreou.
Mais de uma vez ele deixara bem claro que preferia perder o emprego a trair sua ética hacker. Ele poderia ter dito isso desta vez, mas Mônica sabia que gente como Alberto raramente se repetia. O que fazia com que ela o valorizasse ainda mais.
- Em todo o caso – Mônica disse – vou pedir pro pessoal da segurança ficar em alerta máximo. Obrigado, Alberto.
Benjamim Calvin, que tanto implicava com Alberto no refeitório na hora do almoço, acharia que estava delirando se estivesse ali escutando aquilo, mas a gratidão da Senhorita Muniz era genuína.
- Por nada, Senhorita Muniz. – então ele se retirou e a deixou sozinha com seu papel picado e seus cigarros.
Denúncias no senado e um ataque hacker iminente..... aquilo não podia ser coincidência... E não era.
Enquanto ligava para os engenheiros de segurança, cinco pisos abaixo da sala de Mõnica, o primeiro terminal congelou.

O agente Johan era extremamente reservado. Apesar dos anos de serviço e de toda a consideração que a Senhorita Muniz tinha por ele, muitos de seus colegas ainda se perguntava o que alguém como ele estava fazendo ali.
Johan sabia que a principal preocupação não era com sua competência e sim com sua quase que total falta de sociabilidade. Além disso, estavam sempre comentando pelos cantinhos sobre o como ele era totalmente desleixado com sua aparência e sobre a sua enorme disposição para comer o que quer que fosse colocado a sua frente na cantina, quase sempre se emporcalhando com a refeição, por mais que tomasse cuidado.
Aquilo entristecia Alberto um bocado, por mais que ele tentasse não demonstrar. Mas ele nunca abriu a boca para protestar, em absoluto, porque nunca quisera ser o centro das atenções. Queria apenas fazer seu trabalho o melhor possível e fazer valer o pagamento polpudo no final do mês.
Mas quando ele sentava em frente à sua estação de trabalho, nada daquilo importava. Quando se sentava à frente de um teclado ou quando falava ao telefone com alguém, Alberto se transformava. Mônica e os outros nunca foram capazes de compreender como aquilo funcionava, mas ela também não entendia como um monte de coisas funcionava, inclusive o relacionamento com namorado, mas não ia deixar de desfrutá-las por causa disso.
No presente momento, Alberto estava há algumas semanas conversando com duas pessoas.
A primeira delas era Amália, uma espirituosa senhora de cinquenta anos que vivia um conflito enorme. Era infeliz no casamento, mas tinha medo de deixar o marido, porque ele era um conhecido chefão do crime. E pior, estava perdidamente apaixonada pelo noivo da filha, quase vinte anos mais jovem. Amália era bipolar e, as vezes, Alberto sentia uma enorme dificuldade de se conectar com ela. Outra coisa que a tornava interessante era o fato de ela não gostar de mostrar o rosto ou a voz, preferindo conversar com meramente através de chats de texto, embora Alberto soubesse tudo sobre ela. Talvez até mais do que o marido ou os quatro filhos.
A outra pessoa era um jovem descendente de japoneses, chamado Rafael Yamato. Rafael era um jovem bastante agressivo e um pouco arrogante demais na opinião de Alberto. O pai de Rafael era um figura proeminente, principalmente entre os diversos descendentes de orientais residentes no país. Rafael queria muito ser um artista digital, mas o mas o pai queria que ele seguisse a carreira de advogado e assumisse o escritório da família um dia. Ele não tinha muito pudor em pressionar o filho em cada minuto do dia neste sentido.. Rafael costumava extravasar sua raiva arriscando a vida de madrugada e se envolvendo em brigas. Ah, e é claro, ele ainda tinha duas namoradas, a quem espancava ocasionalmente.
Quando trabalhava num caso, Alberto gostava de tentar se imaginar no lugar da pessoa com quem estava conversando. Ajudava a ter uma perspectiva única.. De vez em quando, ele abria os perfis deles e ficava observando por horas a fio. Tentando se colocar no lugar deles. Tentando entender a vida deles. E porque no fundo, nenhum dos dois tinha muito amor por ela.
Isso, é claro, também se tornava motivo de piada. Um dia, o novato Calvin passara por ali e o vira encarando a foto de Rafael. A piadinha viera naturalmente:
- Quem é esse, Alberto? Um namorado? – Calvin perguntara por cima do ombro de Johan.
Alberto nada respondera. Apenas ficara vermelho. Chocado demais para dizer alguma coisa.
Alberto respirou aliviado quando ele se afastou.
Calvin era um cara chato e prepotente. Mesmo tendo perdido seu primeiro caso, de uma forma pra lá de amadora, ele era um tipo de herói por ali, enquanto que Alberto que nunca perdera ninguém era um pária. Quem podia entender a lógica que governava este mundo?
Alberto com certeza que não entendia.
E sempre havia os sonhos e quindins. E a delicatessen preferida de Alberto havia acabado de mandar um e-mail avisando sobre uma promoção. Mas era apenas para clientes especiais. E só valia naquele dia, o que significava que em algum momento do seu dia, Alberto teria que passar por lá.
Alberto cruzou os dedos das mãos, como se fosse um maestro se preparando para iniciar um concerto e começou a conversar com Amália.
- Toc – toc – ele digitou no programa de chat.
- Não tem ninguém. – Amália respondeu.
- Ah é? E quem por acaso é você?
- O lobo mau... rs.
- Como estamos hoje?
- Péssima.
- Ora bolas, mas porquê?
- Passei o dia todo pensando nele. E quando o vejo com minha filha, parecendo tão felizes, sinto vontade de morrer Alberto.
- Não faz isso.
- E quando olho pra ele e ele parece corresponder, eu me sinto pior. Será que para eu ser feliz eu preciso destruir a felicidade da minha garotinha?
A conversa transcorreu por mais de quatro horas. E no fim ela não parecia apresentar sinais de melhora.
Em seguida foi a vez de Rafael. Ele passou um tempão se vangloriando sobre como atravessara a avenida paulista completamente embriagado na hora do rush e sobrevivera para contar a história. Tudo por causa de uma aposta feita com os amigos da gangue. Alberto sabia que ele estava se tornando cada vez mais autodestrutivo. Os rachas já não estavam  mais servindo para prover seu vício e adrenalina. Nem mesmo o sexo. No fundo Alberto o entendia. A pressão do pai para que ele se tornasse um bom advogado crescia a cada mais a medida que a faculdade se aproximava do fim.
Alberto sabia por experiência própria, através de uma de suas ex-namoradas que os patriarcas descendentes de orientais sabiam ser bastante obsessivos.
- Você já tentou dizer ao seu velho que é um artista e não um advogado? – Alberto perguntou, olhando fixamente para a câmera.
- Já – Rafael disse desanimado. – Ele não me escuta. Ele diz que sou um tolo e que não tenho condições de fazer minhas próprias escolhas. Que se fosse depender de mim, eu estaria na cadeia. Tudo isso por uma vez ele teve que me tirar de lá quando eu era mais jovem e fui pego roubando um carro. Ele acha que eu sou um imbecil, Alberto!
- E sua mãe, o que diz?
- Que eu devo me curvar ante a vontade de meu pai, porque ele sabe que o que é melhor pra mim.
Típica esposa japonesa – Alberto pensou.
- Acho que você pode tentar conciliar as duas coisas – Alberto começou.
- Você não entende cara – Rafael disse. Quando eu entro em tribunal e vejo todas aquelas pessoas.... todas elas iguaizinhas ao meu pai, eu entro em desespero. Eu não quero isso pra mim.... Eu já tentei fugir de casa uma vez, mas ele me achou... Minha vida não presta.
E lá se foram mais três horas e meia de conversa, até que Rafael se sentisse melhor. Quando desligou o monitor, já era final da tarde. Apesar de ter apenas trinta e poucos anos, Alberto sabia que logo aquele tipo de trabalho começaria a pesar. Que um dia teria que abrir mão dele. Um dia.
Alberto ficou encarando o telhado branco por um tempo. Tentando esquecer. Tentando não trazer pra ele a dor daquelas pessoas. Mas era difícil.
Foi então que se lembrou da promoção e ao consultar o relógio, percebeu que caso não se apressasse, não pegaria a delicatessem aberta. Ele vestiu seu casaco e correu para o elevador.


Alberto estava atravessando a rua da delitessem quando o carro em alta velocidade dobrou a esquina. Não houve tempo para que ele se desviasse. O carro se chocou diretamente com ele. Era irônico que, naquela mesma tarde ele estivesse falando com Rafael sobre o risco que ele tinha de matar alguém em uma de suas corridas em alta velocidade. É claro que não era Rafael no volante, já que ele morava em São Paulo, mas mesmo assim foi contra ele que Alberto praguejou enquanto perdia os sentidos.
Ninguém conseguiu ver o rosto do motorista, que se afastou tão rápido quanto veio e a placa anotada do conversível vermelho pertencia a um carro roubado.
Enquanto carregavam Alberto para uma ambulância, os paramédicos se perguntavam qual era a chance de uma pessoa sobreviver a um acidente como aquele. Não eram muitas, devo dizer.


A senhorita Muniz não ficou muito satisfeita quando soube do acontecido.
Os anjos sempre monitoravam os pronto-socorros e delegacias, para o caso de um de seus suicidas irem para lá. Mas era a primeira vez em muito tempo que um deles é que disparava o alarme.
 Ela ficou menos feliz ainda quando começou a escutar nos corredores as piadinhas infames sobre Alberto ter sido atropelado enquanto ia a uma confeitaria.
Enquanto imaginava o que faria  com todos aqueles adolescentes tardios, a pouco felicidade que lhe restava se esvaiu ao descobrir que os dois casos abertos de Alberto tinham ido para na lista de risco máximo.
- Peça ao Calvin para assumir entrar em contato com eles e tentar contornar a situação até que o Alberto volte – o que deveria demorar a acontecer, já que ele tivera um pulmão perfurado e traumatismo craniano e ia precisar de nem sei quantas cirurgias.
Enquanto pensava no que iria dizer ao senhor Charles Mônica imaginou se alguém como Calvin faria um bom trabalho.
E é claro que ele não fez.

- Nenhum deles quis saber de mim – Calvin explicou enquanto ela se aproximava do console de trabalho dele. Mônica, que sempre fora minimalista ficou imaginando como alguém como Calvin conseguia trabalhar direito com uma mesa tão bagunçada.
- Quem mais tentou falar com eles? – ela perguntou.
- Eu usei todas a minhas web personas e mais quatro outros anjos também tentaram. Parece que eles só querem conversar com o Alberto.
- Eu ficaria surpresa se algum dia Alberto pudesse voltar a conversar com alguém – o prognóstico que ela recebera ao ligar para o hospital não era nada bom. Naquele momento, ao que se sabia, ele estava passando por uma cirurgia no cérebro. Aquilo deixava triste. Porque não atropelaram um inútil como Calvin e não Alberto a ser atropelado. Mas no fundo de sua cabeça, Mônica sabia que o fato de estar se sentindo assim não tinha nada  haver com afeição, e sim pela esperança que ela tinha de que Alberto ainda pudesse lhe dar mais alguma informação sobre o burburinho que circulava no submundo sobre os Demônios do Real.
- Deixe-me ver os arquivos deles – pediu. Calvin deu lugar a ela. Mônica passou os olhos pelas fichas e se admirou o quanto Alberto era detalhista. Você ainda vai ter que comer muito capim se quiser chegar nesse nível, Calvin ela pensou, mas não disse.
Ela retirou o pequeno celular do bolso e discou rapidamente.
- Wendell? É a senhoria Muniz. Por favor, me dê acesso ao perfil do Alberto. Sim.... como se fosse ele. Obrigado. – Em seguida se virou para Calvin – Se eles só falam com o Alberto, vamos dar Alberto a eles.
-A mulher tudo bem, senhoria Muniz. Ela só conversa por texto. Mas e o moleque? Ele costuma conversar com o Alberto por vídeo....
- Puxa vida, Calvin, como você é sem imaginação. Não há nada que um pouco de computação gráfica não resolva. – O mouse dele deslizou sobre um ícone chamado INDUTOR DE IMAGENS e Calvin ficou se perguntando porque no perfil dele não havia outro igual. Na janela que se abriu, ele se viu sentado ao lado de Alberto e não de Mônica. – Agora chega pra lá.
Assim que abriu o chat, Amália a cumprimentou.
- E então? Ela perguntou – hoje estamos mais para Doctor Brian ou Terug Naar De Kust?
- Meu deus, o que é isso? – Mônica perguntou franzindo a sobrancelha. Tudo que Calvin conseguiu pensar era o quanto a imagem de Alberto fazendo aquilo parecia grotesca.
- Aqui no perfil, diz que ela é fissurada em coisas obscuras dos anos 1970.
- Chame um desses especialistas em futilidades para vir aqui, com urgência.
- O Kevin já está vindo. – Calvin respondeu, algum tempo depois.
- Ótimo – Mônica respondeu. – Mas enquanto isso, o que respondo para ela?
Havia uma sucessão enorme de pontos de interrogação na tela, logo abaixo da pergunta dela.
- Pergunte se ela prefere sonho ou suspiro – Calvin respondeu e Mônica olhou feio para ele.
- Dr. Brian. Ela respondeu.
- Puxa, Alberto..... Você sempre diz que odeia essas versões americanas sem-vergonha. Que sempre preferiu as originais.....
- Hoje não estou muito bem – Mônica respondeu.
- Eu também não – Amália digitou. – Eles se casaram. E ele me ligou na lua de mel. Pra dizer o quanto pensava em mim quando estava com ela. Você acredita?
Neste momento, a tela do videochat se abriu. E lá estava Rafael, com uma expressão desesperada.
- Alberto! Você precisa me ajudar! Elas descobriram uma sobre a outra. E estão ameaçando contar pro meu pai. Ele vai me matar por envergonhar a família.
- Calma Rafael- Mônica-Alberto disse. – Me explique melhor.
- Não  há o que explicar. Eu estou fodido, cara!
Neste momento, Kevin entrou na sala.
- Será que você se importa de me dizer o que é isso? – Mônica apontou Doctor Brian ou Terug Naar De Kust? Na tela.
- Só um minuto enquanto verifico – Kevin se sentou num terminal próximo. – Nossa, essa realmente é obscura – falou depois de alguns segundos. – São versões de uma mesma música grava nos anos 1970 por uma cantora escandinava chamada...
- Eu já entendi – Mônica disse asperamente – fique aqui para o caso de ela voltar a usar alguma coisa desse tipo numa conversa.
Foi então que aconteceu.

Ao contrário do que mostram nos filmes, quando o sistema parou, as telas não se apagaram de uma vez nem ficaram exibindo estática. Elas simplesmente congelaram. Um das telas do terminal de Alberto que Mõnica estava usando, congelou na janela de chat. A outra congelou na janela do sistema onde as fotos de Amália e Rafael apareciam lado a lado, com a mensagem de SUICÍDIO IMIMENTE escrita em vermelho na frente deles.
- Que diabos? – Mônica perguntou quando o cursor não se moveu e o teclado não esboçou nenhuma reação.
- Parece que o sistema congelou – Kevin disse.  – Aqui aconteceu a mesma coisa.
- Eu enxergo, Kevin. Mas o que poderia fazer duas máquinas desse porte travarem dessa forma? Nós temos inúmeros subsistemas de emergência.... – ela sacou o  celular modernoso e discou para o setor de Manutenção – Wendell, estou com dois terminais congelados aqui embaixo, na sala 5b-512. Você pode mandar alguém? Estou no meio de um caso duplo e preciso destas máquinas online.
- Eu receio que não, Senhorita Muniz – Calvin ouviu a voz rouca de Wendell do outro lado. – Os terminais congelaram no prédio inteiro. Estamos tentando descobrir....
Ela não esperou que ele terminasse e atirou o telefone longe.
Os Demônios do real – foram as palavras que vieram a sua mente – só pode ser isso. E eles não podiam ter escolhido uma hora pior para nos invadirem e fazerem seu número de mágica ruim.
- E agora? – Calvin perguntou, apontando para o monitor com os dois rostos congelados. – O que fazemos com eles?
- Boa pergunta, Calvin. – Muniz disse – quando descobrir uma resposta eu compartilho com você. Com prazer.
Continua.